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Videoarte no Brasil

Pinacoteca abre diálogo com Nam June Paik, Charlotte Moorman e Vivian Caccuri

Douglas Barbosa · 16 de outubro de 2026

Pinacoteca abre diálogo com Nam June Paik, Charlotte Moorman e Vivian Caccuri

A Pinacoteca de São Paulo se prepara para receber a primeira de duas exposições dedicadas ao legado do pai da videoarte, Nam June Paik, com um olhar que transcende o tempo e as fronteiras.

Em outubro de 2026, a Pinacoteca de São Paulo se tornará palco para uma imersão na obra de Nam June Paik, figura seminal da videoarte. A mostra "Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – Charlotte Moorman e Vivian Caccuri" promete revisitar o impacto do artista sul-coreano e colocá-lo em vibrante diálogo com a violoncelista performática Charlotte Moorman e a artista sonora brasileira Vivian Caccuri. A exposição, que ocupa a Galeria Praça da Pina Contemporânea, é a primeira de duas dedicadas a Paik e celebra sua visão profética sobre a arte, a tecnologia e a comunicação.

Considerado o pai da videoarte, Nam June Paik (1932-2006) antecipou conceitos como a instantaneidade global e a hiperconexão, que só se materializariam plenamente décadas após suas transmissões via satélite nos anos 1980. Sua obra, que se estendeu por mais de quatro décadas, desafiou a fronteira entre corpo e máquina, transformando a televisão de um receptor passivo em uma ferramenta interativa e de reflexão crítica. A curadora-chefe da Pinacoteca, Ana Maria Maia, ressalta:

"Paik é um artista central para a contemporaneidade, pelo modo como conjugou experimentalismo e desejo de atuar na realidade de um mundo em pleno processo de globalização na segunda metade do século XX." Sua trajetória transcultural, atravessando continentes e idiomas, é um convite à reflexão sobre as barreiras que ainda limitam o diálogo global, como pontua a curadora Ana Paula Lopes.

Diálogos e Inovações

Entre os destaques da exposição está a icônica "TV Cello" (1971), uma escultura-vídeo concebida para ser tocada por Charlotte Moorman. A obra, que une televisão, cordas e eletrônicos, desafia a noção tradicional de instrumento musical, transformando a performance em uma experiência híbrida de som e imagem. Charlotte, conhecida como a "Joana d'Arc da Nova Música", foi uma colaboradora fundamental de Paik e figura central na vanguarda nova-iorquina, sendo até presa por sua ousadia artística, como na performance de "Opera Sextronique" em 1967.

Complementando essa retrospectiva, Vivian Caccuri apresenta a obra inédita "Medusa e Clepsidra" (2026). A instalação sonora de Caccuri, que transforma o fluxo sanguíneo em matéria e som, propõe um diálogo sensorial com o legado de Paik e Moorman, explorando a dimensão íntima e temporal do corpo através da tecnologia. Essa intersecção entre o som, o corpo e a máquina ecoa a busca de Paik por "humanizar" os meios eletrônicos, convidando o público a uma experiência ativa e multidimensional.

A iniciativa faz parte da "Hyundai Translocal Series", um projeto que fomenta colaborações entre instituições de arte sul-coreanas e globais, com apoio do Banco Itaú e BVLGARI. Além desta exposição na Galeria Praça, uma segunda mostra será inaugurada em 28 de novembro na Grande Galeria da Pina Contemporânea, expandindo os diálogos de Paik com artistas contemporâneas como biarritzzz, Christine Sun Kim, Jane Jin Kaisen e novamente Vivian Caccuri.

Um Legado Que Permaenece

"Estamos muito entusiasmados por fazer parte da Hyundai Translocal Series, profundamente comprometidos com a arte e com os diálogos transnacionais entre museus, criadores e públicos", afirma Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca. As exposições, que seguem até 14 de março de 2027, não apenas celebram um visionário, mas também abrem caminhos para discussões atuais sobre tecnologia, arte e a condição humana em um mundo cada vez mais conectado. O Nam June Paik Art Center, na Coreia do Sul, também inaugurará sua versão da mostra, "Hyundai Translocal Series: Via Satellite – Moon, Echo, Mosquitoes, and Memes", no dia 5 de novembro, consolidando a ponte cultural entre os dois países e o impacto duradouro de Paik na arte global.

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