GRINDR & NFL
Ricky Martin e Pedro Sampaio no NFL Rio Game colocam representatividade LGBTQIA+ em evidência
Douglas Barbosa · 22 de setembro de 2026

CMO do Grindr, Tristan Pineiro, fala sobre masculinidade, esporte, representatividade e o papel da plataforma na construção de espaços mais seguros para a comunidade queer
Prestes a subir aos palcos no domingo, 27 de setembro, no Estádio do Maracanã, Ricky Martin e Pedro Sampaio não vão apenas apresentar uma parceria musical inédita. Os dois artistas também estarão no palco do NFL Rio Game, primeiro jogo da NFL realizado no Rio de Janeiro, colocando dois nomes assumidamente LGBTQIA+ em destaque dentro de um dos maiores eventos esportivos do país.
A participação ganha uma dimensão que vai além da música. Em um ambiente historicamente associado a determinadas expectativas sobre masculinidade, a presença de artistas que expressam publicamente suas identidades também ajuda a ampliar a discussão sobre quem pode ocupar esses espaços.
Para Tristan Pineiro, CMO do Grindr, uma das maiores comunidades digitais voltadas ao público queer, a presença de Ricky Martin e Pedro Sampaio representa uma mudança importante na forma como homens gays e bissexuais são vistos dentro da cultura esportiva e mainstream.
Acredito que existe algo muito poderoso para a nossa comunidade em ver homens gays e bissexuais assumidamente LGBTQIA+ ocupando o centro dos holofotes em um espaço que nem sempre nos fez sentir que também nos pertencia.
Segundo Pineiro, a relação entre esporte e masculinidade passou historicamente por padrões bastante restritos, o que torna ainda mais significativa a presença de diferentes formas de expressão nesses ambientes.
Historicamente, o esporte esteve associado a uma ideia limitada e estereotipada do que a masculinidade deveria representar. Ver artistas como Ricky Martin e Pedro Sampaio nesse palco desafia essas antigas percepções sobre quem pode fazer parte desse universo. Não precisamos escolher entre sermos pessoas LGBTQIA+ e gostarmos de esportes, música ou qualquer outro aspecto da cultura. Nós já estamos nesses espaços. E ver Ricky e Pedro se apresentarem com confiança e sendo eles mesmos torna essa presença ainda mais difícil de ignorar.
A visibilidade, no entanto, não significa que todas as barreiras tenham sido superadas. A presença de homens LGBTQIA+ em grandes eventos e produções culturais convive com desafios que ainda fazem parte do cotidiano da comunidade.
Produções recentes como Heated Rivalry, por exemplo, também colocam relações entre homens e a presença queer em ambientes esportivos no centro das narrativas, ajudando a levar para o mainstream discussões que durante muito tempo ficaram afastadas desse universo.
Para Pineiro, porém, é importante reconhecer que a representatividade ainda está em processo de construção.
Não devemos fingir que esse trabalho já foi concluído. Historicamente, o esporte esteve associado a uma ideia muito rígida de masculinidade, e o fato de ainda existirem tão poucos atletas homens assumidamente gays no mais alto nível mostra que essas visões tradicionais não desapareceram e que nem todos se sentem igualmente confortáveis em serem abertos sobre quem são.
Mais do que a presença de pessoas LGBTQIA+ nas arquibancadas ou nos palcos, a discussão também envolve a criação de ambientes nos quais essas pessoas possam participar sem precisar esconder quem são.
Os torcedores LGBTQIA+ estão cada vez mais visíveis, e isso representa um avanço. Mas as organizações esportivas também têm um papel importante na criação de ambientes nos quais tanto torcedores quanto atletas se sintam seguros para serem eles mesmos. A visibilidade é importante, mas o ambiente ao redor dela também precisa mudar.
O papel das marcas nessa transformação
A inclusão dentro do esporte pode aparecer de diferentes maneiras. Torcedores LGBTQIA+ ocupam arquibancadas, acompanham seus times, participam de comunidades esportivas e constroem relacionamentos nesses espaços. Para empresas que dialogam diretamente com esse público, o desafio passa por transformar o discurso de inclusão em ações concretas.
Para Pineiro, o primeiro passo está em compreender as necessidades da própria comunidade.
Isso pode significar apoiar organizações LGBTQIA+, ajudar a criar experiências mais seguras ou utilizar sua plataforma e seus recursos para ampliar a visibilidade e o apoio à comunidade. E esse compromisso precisa continuar quando não houver uma campanha ou um momento de “Pride” associado a ele. É nesse momento que as pessoas percebem que o compromisso é genuíno.
A discussão sobre representatividade também passa pela maneira como os próprios homens são incentivados a se enxergar. Para o CMO do Grindr, não se trata necessariamente de criar uma nova definição de masculinidade, mas de permitir que diferentes formas de vivê-la sejam reconhecidas.
Durante muito tempo, os homens receberam um roteiro bastante limitado sobre como a masculinidade deveria ser. Vejo isso menos como uma mudança na masculinidade e mais como uma forma de sermos mais honestos sobre como ela sempre foi.
Os homens nunca foram uma coisa só. Finalmente, estamos nos sentindo mais confortáveis em abandonar esse antigo roteiro.
Essa transformação também começa a aparecer com maior frequência na cultura popular, fazendo com que diferentes formas de masculinidade estejam mais presentes no imaginário coletivo.
O que está mudando é que estamos vendo mais dessa realidade refletida na cultura mainstream. E acredito que isso seja positivo para todos, não apenas para homens gays e bissexuais. Ninguém deveria precisar se comparar a uma única ideia limitada do que uma pessoa deveria ser.
Onde entra o Grindr?
Em uma conversa sobre comunidade, representatividade e pertencimento, o Grindr ocupa uma posição particular por funcionar como uma plataforma de conexão entre pessoas LGBTQIA+ em diferentes partes do mundo.
A proposta da empresa vai além da ideia de encontros. A plataforma também pode funcionar como uma ferramenta para que pessoas encontrem outras pessoas queer em locais onde essa comunidade nem sempre é facilmente identificada ou acessível.
Onde quer que você esteja no mundo, existem pessoas queer ao seu redor. Em alguns lugares, é fácil encontrá-las. Em muitos outros, não é. O Grindr pode ser essa camada digital que ajuda as pessoas a se encontrarem.
Essa conexão pode assumir diferentes formas, dependendo das necessidades e experiências de cada usuário.
E essa conexão pode significar muitas coisas: um relacionamento, um encontro casual, amizade, entrar para um time esportivo, encontrar informações ou simplesmente encontrar segurança na força do coletivo.
É nesse contexto que surge o conceito de Global Gayborhood, ideia utilizada pelo Grindr para representar a possibilidade de encontrar uma comunidade queer independentemente de onde a pessoa esteja.
É isso que queremos dizer com Global Gayborhood: ajudar as pessoas a encontrar sua comunidade onde quer que estejam e dar a elas autonomia para se conectar em seus próprios termos.
Uma masculinidade que não cabe em uma única definição
A presença de Ricky Martin e Pedro Sampaio no NFL Rio Game também evidencia que não existe uma única maneira de ocupar um espaço tradicionalmente associado à masculinidade.
Os dois artistas construíram trajetórias distintas, possuem linguagens musicais diferentes e expressam suas identidades de maneiras próprias. Para Pineiro, justamente essa diversidade de experiências ajuda a ampliar a percepção sobre o que significa ser homem.
É assim que eles ajudam a ampliar essa definição: simplesmente sendo eles mesmos em espaços de grande visibilidade.
Quanto mais diferentes formas de expressão vemos na cultura mainstream, mais difícil se torna defender que os homens precisam ter uma determinada aparência, comportamento ou forma de se expressar.
A transformação, porém, não depende exclusivamente de uma marca ou de uma campanha. Para Pineiro, empresas, organizações esportivas e outros setores da sociedade possuem responsabilidades diferentes nesse processo.
Acredito que essa transformação já começou, mas ela não acontecerá por causa de uma única empresa ou campanha.
Empresas como o Grindr têm a responsabilidade de utilizar as plataformas e a influência que possuem para manter essas conversas em evidência e ser honestas sobre onde estamos avançando, e onde ainda não estamos. Podemos estar presentes, ouvir nossa comunidade e usar nossa voz quando isso puder realmente fazer a diferença.
Mas as marcas são apenas uma parte desse processo. As organizações ligadas ao esporte também têm um papel na criação de ambientes nos quais as pessoas possam simplesmente ser quem são.
A apresentação de Ricky Martin e Pedro Sampaio no NFL Rio Game, portanto, se insere em uma discussão maior sobre representatividade, masculinidade e pertencimento. Mais do que uma participação musical, a presença dos artistas coloca em evidência a possibilidade de pessoas LGBTQIA+ ocuparem espaços de grande visibilidade sem precisarem abrir mão de suas próprias formas de expressão.
Ricky Martin e Pedro Sampaio se apresentam no dia 27 de setembro, no NFL Rio Game, no Estádio do Maracanã.
