FUNK É CULTURA
Mesmo com chuva, Helipa Festival demonstra que o funk possui público grande e diversificado
Douglas Barbosa · 07 de setembro de 2026

Conhecido por sediar diversos bailes na região de Heliópolis, o Helipa Festival chega em novo formato para promover o poder e a ascensão do funk em São Paulo
Sábado estava bem frio, com um dia chuvoso, daqueles bons para ficar em casa. Mas havia diversas pessoas seguindo em direção ao Brás, região conhecida por abrigar locais mais underground para festas, como a conhecida Fabriketa.
Jovens bem vestidos, alguns com estilos mais “mandrakes”, meninas que pareciam góticas, homens às vezes mais despojados. Todos se protegendo do frio, mas ninguém se deixando vencer pela vontade de ficar em casa.
O Helipa Festival ocorreu nos dias 5 e 6 de setembro, com uma line-up imensa e diversos nomes de DJs que são referências na cultura do funk. O festival proporcionou uma grande reunião de admiradores do famoso Baile do Helipa e também de fãs mais fervorosos de DJs que se destacam no line-up e que estão constantemente presentes em grandes festas ao redor de São Paulo.
O espaço era amplo, com quatro palcos. Logo na entrada, a música já estralava pelos corredores. Havia folhetos políticos, demonstrando ser um local frequentado por muitas pessoas politizadas, além de experimentação de bebidas, carrinhos de comida e pessoas fazendo passinhos sincronizados embaixo da chuva.
No Palco Umbrella, um dos menores palcos do festival, estava um dos grandes nomes da música underground no momento, a DJ Dayeh. Um fervo enorme de pessoas se aglomerava para ouvir seus maiores sucessos. Afinal, a DJ e produtora já trabalhou com muitos artistas conhecidos e possui um repertório extenso de trabalhos autorais. Em alguns momentos, suas próprias produções soavam ainda mais fresh devido aos novos arranjos.
O palco principal era o Palco Helipa, localizado no galpão central, que se conectava com o Palco Coruja, um dos mais afastados, embora não tão distante. Todos os palcos eram revestidos com grandes paredões de caixas de som potentes, que, às vezes, geravam certas misturas de ritmos, fazendo com que as pessoas tentassem sempre se aproximar mais do paredão para focar apenas em um som.
No Helipa, o DJ Bruno Prado apresentava diversas sequências de músicas que faziam as pessoas entrarem em curto-circuito. A animação era imensa, até que ele se despede e chega um dos maiores nomes da noite: o DJ Caio Prince.
Caio Prince é totalmente amado pelo público, e não somente no Brasil. Retornando sempre de turnês que realiza ao redor do mundo, o DJ tem um público que faz questão de acompanhá-lo em todas as datas possíveis, e seu set é realmente diferenciado.
Com dançarinos compondo a apresentação no palco, o que deveria ser apenas um set de 40 minutos se transforma em uma produção única e uma performance interessante. O DJ não apenas faz as transições como também compõe parte do show dançando, performando e se posicionando no palco, levando inclusive um cartaz enorme de Erika Hilton para cima do palco.
O público responde a cada movimento, e o Palco Helipa se torna pequeno para ele. Após Caio Prince, a DJ Apropri4damente iniciou um set com uma mistura de funk e techno e transformou totalmente o ambiente. Uma explosão de êxtase se formava no Palco Umbrella, enquanto as pessoas transitavam entre a saída, para buscar um pouco de ar, e o retorno à pista para continuar dançando.
Com apenas um espaço destinado aos banheiros, o festival não contou com uma separação por gênero, ocasionando uma fila imensa, também pela falta de mictórios. Muitos seguranças não sabiam informar alguns detalhes, mas a equipe, de modo geral, pareceu simpática e bastante respeitosa, diferente de muitos outros locais que acabam sediando eventos de funk e gerando ataques contra o público por preconceito.
Diante da experiência, o único fator que tenha gerado algum declínio tenha sido o tempo, algo sobre o qual não há controle. Para futuras edições, porém, investir em um número menor de atrações e em sets mais longos pode ser uma solução para evitar tantas transições de palcos e permitir que as ambientações criadas por cada profissional sejam mais bem aproveitadas.
É um grande acerto também favorecer essa cultura e mostrar que ela vende, é consumida e faz parte da identidade brasileira. É importante destruir imagens negativas ao tratá-la como algo somente marginalizado, quando, na realidade, **ela também é parte da cultura brasileira e, principalmente, da cultura de São Paulo.
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