Confissões na toca do coelho
Festa Hole entrega experiência "Confessions" de Madonna em uma sexta-feira qualquer em São Paulo
Douglas Barbosa · 24 de agosto de 2026

A festa chamada "Confessions on a Dark Room" trouxe diversos performers e um line-up repleto de DJs que sabiam aquecer a pista.
"Vamos, vai ser divertido", foi a primeira frase que foi ecoada em meio de uma conversa com um conhecido a caminho da linha vermelha do metrô para desembarcar na praça da Républica. Era necessário um "esquenta" antes de entrar na boate, e ali estávamos no meio da famosa rua Bento de Freitas, local conhecido pela comunidade pelos famosos bares e também pelo público acolhedor.
Após uma garrafa de Budweiser, virando a esquina e passando a famosa boate "ABC Bailão", se encontra o destino final, a casa noturna "Hey Hey" que recebeu a ilustre edição da Festa Hole com o tema referenciando o último álbum da rainha do pop.
Uma pequena fila se formava e as pessoas corriam para dentro para fugir do ar gelado de São Paulo, após a conferência de documentos e ingressos, uma grande luz laranja se formava no meio da pista em meio a diversos lasers verdes, Madonna no último volume, pessoas de diversos corpos diferentes com vestimentas mais voltadas ao couro, ás vezes apenas o elástico, máscaras fetichistas, casais unidos e até mesmo muito beijo na boca é o que gerava o calor da pista.

Em um momento muitas pessoas geraram seu próprio espaço, sua própria liberdade sendo vista por diversas pessoas, seus corpos sendo reverenciados em meio da pista de dança e os toques, o suor, a diversão tudo sendo envolvida no mesmo ambiente. Não haviam telefones pois nada poderia ser registrado, mas não era proibido, ninguém se importava em ficar nos cantos e os poucos que ficavam olhavam ao redor enquanto dançavam em busca de uma conexão com alguém, proteção havia em cada canto da casa e também o choque de ver muitos rostos conhecidos ali.
Ás vezes é desenhado demais muitos estigmas puritanos de muitas pessoas, pessoas que trabalham demais e ajudam seus pais, pessoas que ás vezes são felizes demais e no final de semana rezam pela paz mundial, mas em meios escuros seus fetiches e o prazer pela carne podem ser expostos sem medo, sem o julgamento alheio e é lindo ver o sorriso, a segurança e o ambiente que tudo isso envolve.
Ninguém é obrigado a se envolver, participar, se expor, mas todos estão ali acreditando no mesmo ideal, que o prazer não pode ser banalizado, que a cultura queer é repleta e consumida de liberdade e mesmo que estejam de burqa ou mais cobertos possíveis, seriamos julgados por sermos quem somos.
Festas como a Hole são essenciais pela experiência de entender o mundo ideal onde as decisões humanas individuais que não interferem uma sociedade realmente não podem ser proibidas, o prazer não deve ser proibido e devemos ter locais seguros para nossa comunidade e que gerem debates contra o conservadorismo barato.

Sim, há pessoas da própria comunidade que lutam contra essa liberdade devido a sua culpa cristã ou ideais radicalizados sobre a saúde individual de cada um, mas devemos pautar que a banalização de atos como este só nos leva a dar passos para trás em lutas feitas para que esses espaços fossem criados.
É recomendado a todos ter uma experiência como esta, afinal haviam mulheres, não binários, pessoas trans e todas lidando bem com sua liberdade e criando seu próprio espaço seguro, e é esse o desafio de tornar a festa mais cultivante a si mesmo.
