Bia Soull & Vita
“Machine”: Bia Soull e Vita Pereira tecem manifesto de feminilidade letal e eletrônica
Douglas Barbosa · 16 de setembro de 2026

O novo single é uma ode à transgressão, unindo o impacto de “Pornografia Auditiva” de Bia Soull e a potência da Vita’s House de Vita Pereira.
Duas forças da música brasileira, Bia Soull e Vita Pereira, uniram seus talentos na faixa “Machine”, que já está disponível nas plataformas digitais via Warner Music. Longe de ser apenas mais um lançamento, a colaboração emerge como um manifesto vibrante, costurado por ondas eletrônicas e uma visão ousada da feminilidade, posicionada como um fator “letal sem censura e com elegância”, nas palavras da própria equipe. O single se insere no universo de “Pornografia Auditiva”, o aclamado disco de estreia de Bia Soull, que já acumula mais de 8 milhões de plays e foi eleito entre os melhores do ano pela crítica nacional.
Uma Conexão Cósmica e Política
A junção de Bia Soull e Vita Pereira em “Machine” transcende a mera colaboração musical. Bia Soull, que rompeu barreiras no funk com sua perspectiva explícita e protagonista em “Pornografia Auditiva”, agora busca, ao lado de Vita, consolidar o feminino como um artifício “malicioso e fulminante”. Vita Pereira, a mente por trás da elogiada “Vita’s House”, complementa essa visão, trazendo sua própria potência para a narrativa. “Lançamos álbuns muito distintos que, porém, conversam entre si. Quis unir esses dois universos trazendo a visão mais eletrônica da música de um forma muito sensual”, explica Bia Soull, revelando a sintonia que levou ao single.
Mas a profundidade de “Machine” vai além da sensualidade. Bia Soull revela que a faixa aborda o sexo de uma forma política, como “uma resposta ao feminicidio”, conectando a arte a uma pauta urgente. Ela também detalha um aspecto mais pessoal: “Mas também é sobre pessoas das quais eu não faço questão de me relacionar porque elas podem ferir a minha existência, sabe? De quem eu tenho um certo receio, de quem eu me mantenho distante.”
Vita Pereira expande a discussão, ressaltando o peso histórico e a ancestralidade que permeiam a canção: “Falei sobre a importância do fim do macho, daquilo que estrutura o poder, desejo e o sexo. Sinto em minha composição trabalhos de artistas travestis como Linn, Jup, Ventura, que também falam sobre essa questão, trouxe elas comigo nessa composição para mostrar que essa luta não começou comigo. Nós temos um trabalho extenso e honroso de mulheres na música que sempre falaram sobre desejo, poder, sexo, amor e glória. Nós (eu e Bia) somos a continuação dessas mulheres que aprenderam a gritar na música nossas vontades.” A faixa não é apenas uma manifestação individual, mas um eco de vozes potentes que vieram antes, e que seguem ecoando.
Com direção criativa de Muno, fotografia de Gabriel Marques (vulgo Antropofagia) e styling de Aline Livra, “Machine” não é apenas uma experiência sonora, mas também visual. O lançamento solidifica o posicionamento de Bia Soull e Vita Pereira não apenas como artistas influentes, mas como narradoras de histórias relevantes, que utilizam a música para questionar, celebrar e provocar.
Ouça “Machine” e mergulhe nesse universo pulsante que redefine a potência feminina na cena musical brasileira.
